sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pára tudo que eu quero descer!! Inovações do mundo moderno.


Terapia online: você faria?

Conheça os pontos fortes e fracos dos atendimentos psicológicos feitos através do computador

Publicado em 25/04/2012
Reportagem: Thais Szegö - Edição: MdeMulher
Conteúdo do site CLAUDIA
Mulher no computador
“A ideia é que sejam tratados online apenas problemas menos complexos e pelo prazo máximo de dez consultas”, explica Rosa Maria
Foto: Getty Images

Você faz compras pela internet e cultiva amigos nas redes sociais. Mas discutiria seus problemas com um psicólogo do outro lado do computador? Saiba que muitas pessoas estão recorrendo à terapia online. Prático, é: não tem trânsito para chegar ao consultório, os horários são flexíveis... Mas há algumas questões sobre a funcionalidade do serviço.
Desde 2005, o Conselho Federal de Psicologia reconhece o atendimento psicoterapêutico e outros serviços psicológicos mediados pelo computador. Os sites que passam pelo crivo da entidade recebem um selo, que deve estar estampado na página de abertura. "Isso garante que o internauta será atendido por alguém habilitado", afirma o psicólogo Aluizio Lopes de Brito. "
No primeiro ano de funcionamento, apenas um especialista pediu o aval do órgão. No ano passado, o número chegou a 85 e já são 180. "Qualquer possibilidade de chegar a um indivíduo que está em sofrimento psicológico deve ser valorizada", opina o psiquiatra Luiz Cuschnir. Mas a psicóloga Rosa Maria Farah alerta: “a ideia é que sejam tratados online apenas problemas menos complexos e pelo prazo máximo de dez consultas”, explica.

Acho que  o fato de existirem apenas 180  psicoterapeutas online inscritos já é bastante sintomático  da crença dos profissionais e dos pacientes nesse tipo de  tratamento.

Não se engane. Psicoterapia  demanda tempo, presença, olho no olho e partilhamento de um espaço exclusivo e protegido. E tais  coisas não podem ser garantidas pela versão online.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Informações sobre os Encontros Terapêuticos




Os Encontros Terapêuticos são reuniões quinzenais onde as pessoas trocam experiências e informações sobre temas específicos a fim de gerar um aprendizado conjunto. 

Os temas trabalhados tratam de relacionamentos amorosos e interpessoais e desenvolvimento pessoal e profissional. 

Coordenados pelas psicólogas Ana Luisa Iunes CRP 01/16117 e Rebeca Ribeiro 01/15363.

Todas às quartas-feiras, a cada 15 dias, das 19h30 às 21h30

Endereço: SRTVS 701 Bloco O Edifício Multi Empresarial Sala 290.

Informações e inscrições: 8209 5804 e 8127 5294, psicologia.encontro@gmail.com

Valor da inscrição: 30,00

domingo, 15 de abril de 2012

Meus medos me paralisam?



Os medos são mecanismos internos de defesa do ser humano. Evolutivamente devemos muito a eles. Temos medo de tudo aquilo que pode nos fazer mal. Logo, o medo é uma ferramenta indispensável para a nossa proteção. 

À medida em que crescemos deixamos de temer muitas coisas. O escuro, o monstro que vive debaixo da cama, o homem do saco, tudo isso uma hora vira motivo de piada e descontração. 

Mal sabemos que com o passar dos anos muitos outros medinhos, aparentemente inofensivos e comuns, invadem sorrateiramente nosso imaginário. 

Algumas vezes, os vemos de forma clara e nos sentimos fortalecidos para enfrenta-los. Muitas outras vezes, não percebemos a presença desses "monstrinhos" e quando nos damos conta estamos diante de obstáculos inexplicavelmente intransponíveis.

Todo medo é real e legítimo, por menor, inofensivo e abstrato que pareça ser. Conhecer e aceitar esses temores que nos acompanham é o primeiro passo para o enfrentamento de um problema.
Mas e quando o medo se torna tão grande a ponto de nos impedir de vermos outras possibilidades de enfrentá-lo?

Frequentemente, um medo esconde um desejo. Melhor dizendo, o medo pode nos proteger de um desejo. De maneira curta e grossa: o buraco quase sempre é mais embaixo. 

Saber que buraco é esse que tentamos evitar é a forma de nos libertarmos e de termos poder de escolha e decisão.

Participe conosco do Grupo Terapêutico sobre os medos que nos paralisam e venha entender melhor o que impede nossas pernas de continuarem o caminho.

Por Ana Luisa Iunes e Rebeca Ribeiro

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sozinho ou acompanhado? O sociodrama responde. Ou ajuda a responder!

Nos anúncios que invadem nossa vida diariamente vemos toda sorte de promessas:  se comprarmos tal produto, ou se nos comportarmos de certa forma seremos os mais bonitos, os mais desejados, os mais influentes e poderosos. Tais promessas de exclusividade e autenticidade são extremamente sedutoras. E, sem perceber, estamos comprando ou fazendo coisas a fim de nos destacarmos em meio a um mundo que parece estar cada vez maior. Ao querermos ser únicos e mais especiais que os outros, acabamos exaltando nossas diferenças e escondendo o que nos une.


Os serviços que prometem exclusividade, V.I.P., estão por toda parte. E, como num passe de mágica, todos são muito importantes, a ponto de existirem verdadeiras linhas de produção de produtos e serviços exclusivíssimos. Mas não se assuste! Aquele produto fantástico é só pra você e alguns poucos, viu!


Não estou querendo destruir a idéia de unicidade e individualidade do ser humano. Mas quero, sim, chamar atenção para como somos parecidos e como estamos nos esquecendo disso. Faça um experimento: sente-se num bar, ou café, e observe as pessoas. Você se surpreenderá com a semelhança das conversas, dos problemas e discussões. 


Enquanto sociedade dividimos uma série de questões que merecem atenção. Compartilhamos desde questões macro e de cunho sócio-político ou  ideológico como: O que esperamos do governo brasileiro? Como melhorar a segurança pública? Até questões íntimas e que, aparentemente, ninguém tem nada a ver com elas, como: Por que aquela pessoa me irrita tanto? Ou como faço pra organizar meu tempo?


A sociatria surgiu como uma forma de cuidar da sociedade. Por meio do sociodrama e do psicodrama de grupo é possível ouvir as diversas vozes da sociedade. Conseguimos cuidar das relações entre as pessoas nos grupos e também trazer à tona vozes e questões que muitas vezes ficam guardadas, bem escondidas, encobertas pela nossa vergonha e pela idéia de que nosso problema é muito diferente do dos outros.


EU + VOCÊ... As infinitas possibilidades de um encontro.
A possibilidade de trabalhar questões em grupo abre um universo em que nos sentimos pertencentes e apoiados. A força de uma vivência grupal  pode nos tirar, ao menos por alguns instantes, de nossas rotinas muitas vezes auto-centrada e solitária. Experiências terapêuticas em grupo favorecem uma visão mais empática e sincera do outro e de nossas relações.


Quem já participou de alguma terapia em grupo garante que é difícil voltar a fazer terapia individual. É uma experiência quase viciante!

sábado, 3 de março de 2012

Sobre mulheres, bonecas e cabras.





Dentre as várias ações, o esforço em diminuir o sentimento de culpa, em delegar tarefas e em não ceder às pressões chamou minha atenção. Assim como a revelação que a auto cobrança é o maior motivo de angústia entre as mulheres.

O excesso de auto cobrança, o estabelecimento de metas irreais e a busca por uma padrão feminino inatingível perseguem a maioria das mulheres que desejam tudo: serem muito bem sucedidas profissionalmente, independentes, excelentes donas de casa, mães sempre presentes, mulheres sexies e lindíssimas, elegantíssimas e etc. 

Posso escrever linhas e mais linhas sobre as expectativas e desejos femininos. Quando paro para pensar a respeito só consigo me lembrar da boneca que se tornou ícone da mulher "moderna". 

Você já parou para pensar quantas profissões e funções a Barbie tem? E em sua família perfeita? E em seus bens? Sempre trabalhando e se divertindo de todas as formas possíveis com um "belíssimo" modelito!
"Ah, como eu queria ser a Barbie... sempre tão poderosa e ativa e sem um único fio de cabelo fora do lugar! Se não der pra ser como ela, eu travo." 

Parece piada, mas tenho certeza que a maioria das mulheres é assombrada pela boneca mais amada do mundo. Tanto que muitas, ao perceberem que não conseguirão ser 100%, caem duras como cabras assustadas e ali ficam. 

                                      Cabras que ao ficarem excitadas tem uma contração muscular que as paralisam.

Conhecer quais são as nossas expectativas a respeito de nós mesmos e qual imagem desejamos mostrar aos outros, é o primeiro passo para assumirmos os motivos pelos quais queremos ser vistos como super em algo. Estabelecer as nossas reais possibilidades, com metas plausíveis é o segundo passo para sermos bem-sucedidos.

E se um dia você der uma travada, relaxe, espere as perninhas voltarem, e tente entender quais eram as suas expectativas em relação àquela situação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Homem vestido de mulher?! Só pode no carnaval!


Todo carnaval é a mesma coisa: os rapazes roubam sutiãs, vestidos e as maquiagens das garotas, se montam e saem alegres nos blocos de rua! Nesses dias eles se divertem, bebem, abraçam os amigos e flertam com o universo feminino sem chocar a sociedade. Vestir-se de mulher para pular carnaval faz parte da cultura brasileira. Agora, passar o resto do ano vestido de mulher... 

"Volta pra casa e vira homem, senão te dou uma bica, sua bicha!"


Na última segunda feira o cartunista Laerte foi ao programa Roda Viva para discutir questões relacionadas à transgeneridade.

Após ter sido proibido - a pedido de outra cliente, mãe de uma menina - de continuar usando o banheiro feminino de uma pizzaria que frequentara, Laerte entrou na justiça a fim de garantir o seu direito de utilizar o banheiro que quisesse, direito assegurado por lei. A partir desse episódio, o cartunista tem dado entrevistas para discutir o que ocorreu com ele.

Laerte é adepto do crossdressing desde 2004, mas somente em 2009 começou a vestir-se cotidianamente como mulher.

Crossdressing, vestir-se ao contrário (tradução livre), significa homens ou mulheres que gostam de se vestir com a indumentária do gênero oposto. Ou seja: homens que gostam de usar roupas e acessórios femininos e mulheres que amam apresentar-se com roupas masculinas.

O crossdressing não está relacionado com a orientação sexual (homo, hetero ou bissexualidade), nem com ser travesti, transexual (identificar-se com o corpo e as características do sexo oposto e, não, com as do próprio sexo e gênero), nem com sentir prazer sexual ao vestir-se como alguém do outro gênero (fetiche).

Os crossdressers afirmam que adotam tal prática por amarem a forma como o gênero oposto se apresenta e por quererem viver a mesma experiência. Alguns chegaram a criar a nomenclatura Eonistas para se definirem de forma mais clara. Especificando que ser eonista não significa ser homossexual, nem transexual e muito menos promíscuo. É simplesmente uma nova forma de apresentar-se no mundo.

Laerte trouxe à TV e aos jornais esse universo pouco conhecido e marginalizado. Ele também está sendo porta voz de alguns conflitos que passavam desapercebidos pela nossa sociedade.

Um dos conflitos abordados é: existem mais de dois gêneros? Há mais de duas formas de representação e expressão do ser humano diferentes de feminino e masculino como conhecemos?

Outra questão importante é o projeto de lei de autoria do vereador evangélico Carlos Apolinário, o mesmo que tentou criar o Dia do Orgulho Hétero. O vereador propõe a criação de banheiros para gays, transgêneros e transexuais. Tal projeto oficializa o preconceito e a marginalização dessas pessoas, indo num movimento contrário às políticas públicas de inclusão social.

Todavia, o que mais chamou minha atenção disso tudo foram os comentários feitos por alguns leitores da Folha de São Paulo.

"Só gera polêmica , porque NÃO TEM SIMANCOL . Se tivesse , 99% dos casos de homofobi@ não existiriam. Mas por que além de g@y, além de se vestir de mulher, ainda tem que ir no banheiro feminino???? Falta de SIMANCOL. Se eu pego um tr0ç0 destes no mesmo banheiro que minha filha de 10 anos, quem chama a políci@ SOU EU. RESPEITO tem que ser RECÍPROCO. Estes H0m0 idolatradores só sabem COBRAR respeito, mas OFERECER respeito, nem pensar!! E isto porque sempre fui fã dos quadrinhos do Laerte."

"Tudo isso não passa de teatro, o cara quer causar polêmica...., de minha parte tudo bem, agora se ele entrar num banheiro em que esteja minha esposa, mãe, irmãs, sobrinhas, cunhadas, daí sim ele vai tomar um caccete (surra, que fique bem entendido) que nunca mais vai se meter a besta, e vamos debater transgeneridade na frente de um juiz!!!"

"Se eu o flagrar no mesmo banheiro que minha filha, o próximo lugar que ele vai entrar será em um rabecão."


Infelizmente, os comentários acima não são os únicos com conteúdo violento e desrespeitoso. Eles ilustram bem como a nossa sociedade se porta diante do diferente, do que foge à norma, à média.

Provavelmente essas pessoas não chegariam ao ponto de executarem de fato o que escrevem. Contudo, as pessoas que partem para a ação e espancam homossexuais, travestis, pai e filho que andam abraçados ou homens bem vestidos, certamente pensam assim.

Isso me leva a pensar até que ponto temos realmente liberdade de expressão? Em que medida tudo o que pensamos deve ser dito? Até quando aceitaremos "brincadeiras" e "xingamentos" homofóbicos, racistas e preconceituosos?

Talvez realmente precisemos de leis específicas e mais duras. Ao meu ver, até agora o bom senso e a educação não prevaleceram. Ah! E outra coisa que me intriga muito: por que o diferente nos ameaça tanto?


Links interessantes:




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"E quando digo que estamos sós, é porque estamos."

Hoje assisti ao filme Melancholia de Lars Von Trier. E não poderia deixar de comenta-lo.

Inicialmente, vale a pena dizer que o diretor acertou a mão em todos os aspectos. Fotografia, enredo, cenário, personagens, tudo maravilhoso.




O filme traz à tona um tema sutil e difícil de ser discutido: a dor de existir. 

Alguns podem pensar que tal tema já foi excessivamente explorado pelos Românticos. Todavia, a dor existencial é um tema muito presente em nossas vidas. Numa sociedade que vende bem-estar, dramas intensos e alegrias exacerbadas, me admirou muito a sutileza com a qual o filme falou sobre uma dor tão batida.

Desde que o homem passou a refletir sobre si, o vazio o acompanha. Ás vezes como observador de nossas trajetórias e outras como amigo, cúmplice inseparável. Se distanciando e se aproximando numa dança penosa.

Algumas pessoas vivem essa dança de uma forma mais frequente e mais intensa, enquanto outras procuram não se ver como parte desse espetáculo.

Caso você se perceba numa relação excessivamente próxima com a melancolia, a ponto de ver que sua vida está alterada, ou caso você nunca tenha entrado em contato com tal sentimento, em ambas as situações: erga as antenas!

Tristeza prolongada, falta de vontade de fazer as coisas, ausência de prazer em atividades que antes eram prazeirosas, sentimento de culpa constante e alterações no sono são sinais importantes que não devem ser ignorados. Procure um psiquiatra.

A melancolia já foi descrita como um sentimento de ausência constante, de dor pela falta de algo desconhecido. Provavelmente, experimentamos esse sentimento por acreditarmos que necessitamos sempre de algo ou alguém que nos complete e preencha esse enorme buraco.

Ao longo do filme a personagem de Kirsten Dunst diz: 

"Acredite em mim. Eu sei das coisas. E quando digo que estamos sozinhos, é porque estamos."

E talvez seja essa verdade, que passamos a vida evitando, que precisamos colocar de volta naquele lugarzinho vazio. Aquele buraco que tentamos preencher com milhares de coisas que não se encaixam muito bem. Nesse momento, seria interessante se conseguíssemos abrir mão do nosso juízo de valores simplesmente para olharmos e aceitarmos que uma das condições existenciais do indivíduo é a solidão ou a solitude.